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Racionais MC's: 30 anos de luta e engajamento social

  • Pedro Lopes
  • 24 de jun. de 2017
  • 3 min de leitura

Uma das maiores metrópoles do mundo, São Paulo é uma cidade enorme em todos os sentidos, mas nem tudo é para todos, como em qualquer lugar do mundo.


Foi nessa cidade, um verdadeiro laboratório humano, que bombou na década de 1990 a maior banda do Brasil que foi capaz de retratar uma sociedade marginalizada. A cor da pele e a condição social como marcadores de exclusão.


Os Racionais MC’s, quase 30 anos de carreira, são exceção. Os holofotes que antes brilhavam apenas para homens brancos de classe média lançou projeção para a que seria a maior banda de rap do Brasil, composta por negros que cresceram na periferia de capão redondo, em São Paulo.

As letras da banda formam um quadro nítido da capital paulista, que não deixa de ser refletida em todo o país, é a realidade crua da periferia a partir de quem viveu lá.


A banda está na ativa desde 1988 e tem seis discos lançados. Eles são responsáveis por solidificar o rap no rol dos gêneros consagrados no Brasil. O nome foi escolhido por causa do álbum Racionais, de Tim Maia. Os membros de hoje são os mesmo de quando a banda decolou. São eles Mano Brown , Ice Blue, Edy Rock e Kl Jay.


A primeira coletânea, chamada consciência black, foi lançada pela gravadora Zimbabwe Records. As letras já apontavam para a linha que iriam seguir, abordando temas como violência policial, racismo, política e miséria, pontos comuns do cotidiano nas periferias.


Em 1990, eles lançaram um segundo álbum em vinil, intitulado ‘Holocausto Brasileiro’, que incluiu músicas como 'Pânico na Zona Sul', 'Beco Sem Saída' e ‘Racistas Otários’, sendo essa uma música que, apesar de falar em paz, causou um tremendo burburinho e gerou bastante dor de cabeça para a banda.


Em 1992 o grupo ganhava projeção graças ao barulho causado pelos dois primeiros álbuns. Foi quando começaram a ir a escolas falar sobre racismo e violência policial. No ano seguinte, em 1993, a banda deu outro salto. Mano Brown já era considerado um importante compositor e a banda lançou seu terceiro álbum, o ‘Raio-X do Brasil’.


A escalada glamourosa de um grupo de homens negros e periféricos não poderia vir sem entraves. A violência policial nas periferias que tanto denunciavam agora se transferia para o palco. Em 1994 os integrantes da banda foram presos durante uma apresentação em São Paulo acusados de ‘ Incitação à Violência.


No entanto, o sucesso da banda só crescia. Em 1997 a banda lançou sua própria gravadora, o selo Cosa Nostra Fonográfica, a partir da qual gravaram a long play ‘Sobrevivendo no Inferno’, com doze músicas. Uma delas, ‘Diário de um Detento’, explodiu Brasil afora. A música foi feita em parceria com o ex-presidiário Jocenir, que sobreviveu ao massacre do Carandiru, ocorrido há 24 anos.


O álbum 'Nada como um dia após o outro dia' foi o que rendeu os clássicos do grupo, como ‘Vida Loka um e dois’ e ‘Negro Drama’. ‘ A vida é desafio’ é outra música badalada dos Racionais MC’s.


Paralelo à ascendência da banda, uma personagem nos bastidores e primeira-dama do rap, Eliane Dias, também exerceu papel fundamental para o rap brasileiro. Conhecida como a esposa do Mano Brown até 2012, ela, que também é advogada, tornou-se a cabeça da Boogie Naipe, produtora responsável pela banda e pela carreira solo de Brown.


Antes de encabeçar a produção do grupo, Eliana havia sido rejeitada pela banda em 2004. Ela também é referência na luta dos direitos das mulheres negras no Brasil. Graças a ela, os shows do Racionais MC’s passaram a ser abertos com apresentações de artistas mulheres.


A beira de completar trinta anos, a banda é tema da mostra Racionais MC's: três décadas de história em exposição, com curadoria de Fernando Velázques, em São Paulo. A exposição, que faz parte do Red Bull Music Academy Festival São Paulo, começou em 2 de junho e foi até o dia 10. Além de exibir roupas e objetos pessoais, a mostra expôs fotos, vídeos e clipes originais e inéditos.


Imagens: Omelete e Meu Negócio Brilhante

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