top of page

Memória, arte e maestria de Baden Powell

  • Mardem Costa
  • 20 de jun. de 2017
  • 3 min de leitura

O nome é curioso, fruto de uma homenagem a um general britânico. Mas a contribuição que esse talentoso artista deu à música como compositor e instrumentista, especialmente na forma singular como tocava o violão, é lembrada até hoje.

Baden Powell de Aquino nasceu no dia 6 de agosto de 1937 na cidade de Varre-Sai, interior do Rio de Janeiro, filho de uma dona de casa e de um sapateiro e músico amador. A família se mudou para o Rio, então capital do Brasil, quando ele tinha três meses de vida.


A música estava no DNA de Baden. O bisavô, Vicente Thomaz de Aquino, fundou uma das únicas bandas de escravizados a tocar músicas rememorando a origem africana.


Na infância, Powell ficou fascinado pelo violão ao ver o pai tocando violino em saraus, rodas de choro e serenatas. Começou aí, às escondidas, o seu primeiro contato com um instrumento de corda.


Baden Powell começou a tocar violão com sete anos, usando o instrumento de uma tia. A partir daí, o pai, Lilo de Aquino, também conhecido como Tic, deu-lhe noções básicas dos acordes.


Aos oito anos, Baden começou a ter aulas com Jayme Florence, o Meira, grande violonista integrante do Regional Benedito Lacerda. O músico teve influência direta na carreira de Powell, que o considerava um mestre.


Já aos dez, incentivado por Florence, se apresentou pela primeira vez no Papel Carbono, lendário programa de calouros da rádio nacional, comandado pelo radialista Renato Murce. A nacional foi o principal veículo de comunicação brasileiro até o advento da TV tupi, em 1950.


A música que escolheu tocar na ocasião foi "Magoado", de Dilermando Reis, que o rendeu o prêmio de Melhor Violão Solo. Ainda por influência do professor, conheceu os principais músicos de samba e choro da época, entre eles Donga, Ismael Silva e Pixinguinha.


Anos após, Powell deixa as aulas com Meira e entra para a Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro, onde se formou. Ele também estudou com o arranjador Moacir Santos, que lhe deu a habilidade de executar os chamados afro-sambas.


Durante vários anos de sua adolescência, Baden se apresentou em bailes, casas noturnas e programas de rádio no Rio de Janeiro, como “Programa do Guri" e "Calouros do Ary", comandado por Ary Barroso. Rapidamente se tornou um dos músicos mais requisitados em bandas e rodas de choro pela antiga capital federal.


Seu primeiro parceiro importante foi Billy Blanco, com quem compôs, por exemplo, a famosa música "Samba Triste", gravada pela primeira vez pela cantora Rosana Toledo.


No entanto, a parceria mais famosa de Baden Powell foi a que construiu com Vinícius de Moraes. Juntos, eles compuseram dezenas de músicas, entre as quais, os aclamados afro-sambas.


Powell carregava consigo diversas influências musicais sem, no entanto, ficar marcado especialmente por nenhuma delas ao longo da carreira. Ele teve seu trabalho reconhecido internacionalmente e gravou parte de seus discos no exterior, em países como França, Alemanha e Japão.


No campo sentimental, dizem que Baden não foi fiel à nenhuma mulher em especial. Se casou pela primeira vez, em 1963, com Heloísa Setta, apadrinhado por Vinícius de Moraes.


No final de 1965, se separou de Heloísa e engatou namoro com Tereza Drummond, até fins de 1969. Um ano depois, se encantou por Márcia Siqueira Toledo, então com 16 anos de idade, e passou a morar com ela.


Dez anos após se separar da primeira esposa, em 1975, Baden Powell casou com Silvia Eugência, com quem teve dois filhos - Philipe Baden Powell e Louis Marcel Powell. No fim dos anos 1990, Baden se separou de Sílvia, passando a viver com Elizabeth Amorim do Carmo.


Baden Powell foi internado, em 22 de agosto de 2000, na clínica Sorocaba, vítima de uma pneumonia bacteriana grave. Ele faleceu em 26 de setembro de 2000, aos 63 anos, devido à uma infecção generalizada.


Pela importância que teve para o cenário artístico, Baden foi velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e enterrado no Cemitério de São João Batista, na zona portuária da capital carioca.

© 2017 - Programa Matéria Prima UFG - Rádio Universitária 870 AM - Alameda das Rosas - St. Oeste, Goiânia - GO, 74110-060

bottom of page