Bissexualidade não é frescura
- Letícia Ribeiro e Gustavo Motta
- 21 de mar. de 2017
- 2 min de leitura

Um dos assuntos mais discutidos no meio LGBT+ é a representatividade dos diversos grupos incluídos na sigla, afinal, o meio é formado por diversas pessoas com amores, identidades e performances de gênero diferentes. Além de um espaço de lacração ao estilo Lady Gaga e Beyoncé, o movimento é importante pelos debates envolvidos.
Os preconceitos são alguns dos temas recorrentes, e entre eles, está a bifobia. Ainda não muito abordada por vários motivos, os bissexuais fogem ao padrão heteronormativo e monossexual, por isso costumam sofrer rejeição dos héteros cisnormativos e até mesmo dentro do movimento LGBT+.
Existe a dificuldade de entendimento para uma orientação entre hétero e homossexual, por isso o posicionamento intermediário às duas sexualidades é considerado sinal de indecisão e medo de se assumir gay ou lésbica. A PUC-RS divulgou um estudo, em 2015, no qual consta que 11% dos jovens brasileiros de 18 a 34 anos se dizem bissexuais. Mesmo com esse número expressivo, dentro do grupo LBGT+ são tratados como minoria dentro da minoria.

Como as pessoas de orientação bissexual rompem as barreiras da atração única, se supõe que também rompam a da fidelidade. É o senso comum dizendo que após provar doce o indivíduo imediatamente vai sentir falta do salgado. Ou seja, ao se relacionar com alguém do mesmo sexo, o bi vai sentir falta do relacionamento com o sexo oposto e vice-versa. Dessa forma, são vistos como promíscuos e transmissores de doenças. Falácia comumente atribuída aos homossexuais nas décadas de 80 e 90.
Dados de 2014 mostram o quão absurdo é esse tipo de pensamento. O Ministério da Saúde revelou que mais de 67% dos casos registrados de AIDS são atribuídos ao contágio entre heterossexuais.
Muito pouco se tem feito para combater tal preconceito e aumentar a representatividade dos bissexuais. Um estudo da Gay and Lesbian Alliance Against Defamation prova, por exemplo, que apenas 0,8% dos personagens de seriados americanos possuem essa orientação. Daenerys Targeryan, de Game of Thrones, de acordo com o livro e gifs da série, é uma dessas representantes nas telinhas. Ao contrário do estereótipo imposto, ela é muito bem decidida sim e vai longe para conquistar seus objetivos, além, é claro, de ser rainha nata e uma das personagens mais queridas.
Para evitar ainda mais o apagamento da comunidade bi, foi criado em 23 de setembro, o Dia Internacional da Visibilidade Bissexual, data criada graças aos esforços dos ativistas norte-americanos Wendy Curry, Michael Page e Gigi Raven Willbur.