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Sonoridade e melodia da fala brasileira

  • Victória Dinizio
  • 12 de nov. de 2016
  • 3 min de leitura

Com cinco regiões geográficas no Brasil, temos incontáveis sotaques, e isso acontece devido a diversidade de povos que se encontraram em diferentes pontos de nosso território desde a nossa colonização. Nordestinos, cariocas, paulistas, gaúchos... cada um com um jeitinho todo especial de falar a nossa língua, mas é importante perceber que todo brasileiro tem um sotaque, porém ele só é percebido fora de sua região.

O sotaque se caracteriza pela força, intensidade, ritmo e melodia de uma mesma língua falada e as diferenças que são encontradas em nosso país têm a sua explicação na nossa colonização. Na região sul do Brasil temos uma forte influência da imigração italiana e alemã, povos do leste europeu. Já em Pernambuco, o sotaque é uma herança dos holandeses.

No Norte o sotaque traz traços das linguagens dos índios, os primeiros habitantes do nosso território e no Rio de Janeiro a presença dos portugueses se deu de forma mais maciça, deixando assim um legado para trás e um jeitinho todo diferente de falar a consoante “s”.

Sobre as primeiras influências na forma de falar a nossa língua, é importante lembrar que os primeiros contatos linguísticos foram com as línguas indígenas e africanas. Só a partir do Século XIX que os imigrantes de outras partes do mundo vieram contribuir para a nossa atual variedade de sotaques.

Quando notamos a forma de falar diferente do outro e a estranhamos é porque utilizamos como parâmetro a nossa forma de falar. Comparamos pessoas de diferentes regiões que falam a mesma língua mas de variados jeitos. Além da justificativa histórica, as diferenças da pronúncia surgem da própria dinâmica da linguagem, que se adapta aos falantes e nós nos adaptamos a ela.

Não existem duas pessoas que falem exatamente igual, o que fazemos é imitar uns aos outros para que consigamos nos comunicar, para que a nossa fala seja inteligível. Assim, vemos que moradores de uma mesma região tendem a falar de modo parecido, e não apenas para se entenderem, mas também para manter uma identidade. Isso é o que chamamos de “contrato social da língua”.

Quando surge uma inovação na língua, seja no vocabulário ou na pronúncia, ela se espalha, pois vamos imitando um ao outro, mesmo que seja inconscientemente. Essa novidade se torna então dominante, podendo desaparecer ou não.

Como foi mencionado, os imigrantes contribuíram para a nossa forma de falar, mas o que precisamos lembrar também é que os povos desses países também não eram uniformes. De Portugal, por exemplo, vieram imigrantes de Lisboa, Porto, Alentejo e outros diferentes locais. Cada um com um jeito diferente de contribuir com a nossa língua. Ademais, os índios que já viviam aqui falavam inúmeras línguas, e assim os africanos e outros povos de países europeus, que falavam de diferentes formas a mesma língua.

Em Recife, Pernambuco, a influência holandesa deixou a marca de um “r” com uma pronúncia forte, típico das línguas de origem germânica. Na Bahia, o sotaque reflete a miscigenação do povo, misturando o “s” de São Paulo e Minas Gerais com o “r” dos cariocas.

No Rio de Janeiro, como falamos, o sotaque tem uma forte influência portuguesa, que deixou característico o “s” chiado dos cariocas, uma pronúncia diferente da forma de falar lisboense. Outro exemplo de sotaque é a forma de falar cantada dos moradores de Santa Catarina, chegando a ser mais forte do que o dos gaúchos, isso porque a influência foi direta dos portugueses da Ilha de Açores.

Já em São Paulo, o “r” acentuado do interior tem origem na forma de falar dos índios tupis, que foi assimilado pelos bandeirantes. Essa pronúncia se espalhou pelo sul de Minas e chegou até nós, goianienses. E a tendência é aumentar a diversidade de sotaques da língua portuguesa pessoal, pois com a expansão de uma língua, variedades vão sendo criadas. No começo, o grupo que migrou para uma nova região continua falando como seus ancestrais, mas com a perda de contato com o lugar de origem, o grupo vai variando a sua fala e criando um novo sotaque.

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