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Make America Hate Again

  • Bárbara Luiza
  • 12 de nov. de 2016
  • 4 min de leitura

Após uma longa campanha que mobilizou pessoas no mundo inteiro, na terça-feira desta semana, dia oito de novembro de 2016, o empresário Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos da América. E antes de qualquer coisa, é importante entender como funcionam as eleições nos Estados Unidos. Lá o voto também é secreto, e o eleitor vai às urnas votar em seu candidato no dia marcado. Todavia, existem diferenças determinantes entre as eleições norte-americanas e as brasileiras.


Primeiramente, nos Estados Unidos o voto é facultativo, ou seja, o cidadão que decide se vai ou não votar, sem ter de apresentar nenhuma justificativa ou ter nenhum prejuízo. A segunda diferença é que as eleições norte-americanas são indiretas, isso significa que os votos dos eleitores de cada Estado servem para eleger delegados no Colégio Eleitoral. Esses delegados representam os eleitores de sua unidade federativa na escolha final do futuro presidente.


Cada Estado tem uma quantidade própria de representantes, determinada proporcionalmente pelo tamanho de sua população, ou seja, quanto maior a população do Estado, mais delegados ele terá no Colégio Eleitoral, que é composto por 538 lugares.


E foi esse caráter indireto das eleições norte-americanas que permitiu que George W. Bush fosse eleito presidente nos anos 2000. Bush teve aproximadamente 500 mil votos a menos que seu adversário, o democrata Al Gore. Entretanto, o republicano conseguiu atingir os 270 votos no Colégio Eleitoral que são determinantes para o resultado, e foi eleito presidente.


Neste ano, esse episódio se repetiu. A democrata Hillary Clinton teve aproximadamente 400 mil votos a mais que Trump. Porém, no Colégio Eleitoral o candidato republicano obteve 290 votos, garantindo sua vitória.


As propostas, julgamentos, discursos de ódio e até acusações feitas por Donald Trump durante sua campanha foram criticadas pelo mundo todo, e chegaram a deixar muitas pessoas extremamente amedrontadas. Trump acusou os norte-americanos de origem árabe de terem “comemorado” os ataques aéreos às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001, e usou isso para afirmar que os muçulmanos devem ser rastreados e alvos de leis antiterrorismo. Ele defende o monitoramento de mesquitas, que são os locais de culto dos seguidores da fé islâmica.


Sim, o republicano é extremamente xenófobo. Ele defende que deve ser construído um muro separando os Estados Unidos do México. Em entrevista para a BBC Brasil, ele afirmou que “os mexicanos trazem drogas para os EUA, cometem crimes e são estupradores”.


Você pensou que a xenofobia de Trump tinha acabado por aí? Muito pelo contrário. Ela não tem limites. O republicano afirmou com convicção em sua campanha que seria o presidente que mais lutaria contra o Estado Islâmico, pois este “deveria ir para o inferno”.

A partir disso tudo, Trump defende que todos os imigrantes ilegais que residem nos EUA (cerca de 11 milhões) devem ser deportados. Além disso, diz que suas reformas para a imigração iriam acabar com a cidadania concedida aos filhos de imigrantes ilegais que nasceram em solo norte-americano.


Um vídeo do ano de 2005 mostra o futuro presidente dos Estados Unidos dizendo que as mulheres devem ser julgadas pela aparência. Existem inúmeras acusações de assédio sexual feitas contra ele. Em um comício, Trump teve a audácia de alegar que uma das mulheres que foi assediada por ele estava mentindo, pois “ela não era atraente o suficiente para ser alvo de um assédio”. Em um áudio divulgado pela CNN, o republicano comenta os corpos de suas próprias filhas e, logo após, afirma que a melhor idade para as mulheres é aos 35 anos, depois disso elas deveriam “sair de cena” .


Mas não para por aí. Trump zombou de candidatos democratas que já se desculparam publicamente à sociedade norte-americana pelas mortes de pessoas negras causadas pela polícia. O grandioso grupo “Black Lives Matter”, cuja tradução é “vidas negras importam”, é uma referência internacional da luta contra o racismo. Donald Trump afirmou que os integrantes desse movimento ativista estão apenas “buscando por problemas”.


Para justificar essa afirmação, o republicano postou em seu twitter um gráfico falso que dizia que os afro-americanos matam brancos e negros em taxas muito mais altas do que as mortes cometidas por brancos ou policiais. Essas estatísticas foram abertamente contestadas por dados do FBI.


Donald Trump é um empresário, magnata, homem, cisgênero, heterossexual e branco. Todos agimos e pensamos de acordo com nossas condições sociais, nossas personalidades são condicionadas pelo nosso contexto social e com Trump não é diferente. Ele é um homem, e não está disposto a se abrir para entender o que é ser uma mulher ou sequer respeitar as mulheres. Da mesma forma ele faz com pessoas pobres, já que é rico. Com pessoas negras, já que é branco. Com pessoas LGBTs, já que é heterossexual. E com pessoas de outros países, já que é estadunidense. Para ele é muito confortável assumir essa postura discriminatória que o favorece.

Isso tudo – e as muitas outras afirmações, propostas e ações controversas dele – deixam evidente que Donald Trump é racista, machista, misógino, lgbtfóbico e xenófobo ao extremo. Estranho, né? Logo ele que critica e repudia tanto o extremismo, é uma das personalidades mais extremistas do mundo.


E o extremismo de Trump não é nada diferente do que ele diz ser, pelo contrário. Os discursos de ódio proferidos por ele matam, estupram e ferem completamente a dignidade de diversas pessoas todos os dias. Então, o futuro presidente dos EUA deveria, antes de chamar qualquer mexicano de criminoso ou estuprador, avaliar suas próprias ações e palavras.


Dessa forma, a eleição de Trump para presidente da potência mais imperialista e influente de todas pode ser encarada como uma ameaça a todo o mundo. Estarão em suas mãos odiosas as armas nucleares dos Estados Unidos.


Todavia, uma reflexão interessante a se fazer sobre a presidência de Trump é a da estudante brasileira Maria Clara Araújo. Ela disse abertamente que os EUA são uma potência racista, machista, misógina, lgbtfóbica e xenófoba e, portanto, nada mais justo que elegerem um presidente que os represente de fato.

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