"Lembre-se, lembre-se, o cinco de novembro"
- Letícia Ribeiro
- 5 de nov. de 2016
- 4 min de leitura
“Por baixo dessa máscara, não há só carne. Por baixo dessa máscara há uma ideia e ideias são a prova de bala”.
Essa foi umas das frases ditas e glorificadas pelo personagem mascarado V, do filme V de Vingança, obra do diretor James Mcteigue.

A máscara que cobre o rosto de V foi inspiração para diversos movimentos que se opunham a alguma ação de governo. O movimento hacker Anonymous, de origem internacional, consagrou-se como o primeiro a utilizar o símbolo em contexto de protesto. Os hacktivistas lutam em prol de causas sociais invadindo páginas da internet e derrubando sites. Uma das iniciativas mais publicizadas do grupo foi o boicote a sites como o Universal Music pertencente a uma associação de gravadoras juntamente a uma associação cinematográfica.
Isso foi uma resposta ao cancelamento do site que possibilitava downloads ilegais, o MegaUpload. Os donos do site foram acusados de formação de quadrilha para facilitar a pirataria e lavagem de dinheiro, o motivo foi alegado para a retirada do site do ar com base em leis antipiratarias já existentes.
O símbolo de anonimato e contestação também foi adotado por manifestantes dos protestos de junho, em 2013 no Brasil. A cobertura facial foi usada principalmente pelos polêmicos black blocs. Essas pessoas são conhecidas por depredar propriedade privada como forma de protesto. Em especial os ônibus, protagonistas do auge causador das manifestações.
O aumento no preço das passagens fez com que integrantes do movimento “Passe Livre” se posicionassem a respeito nas redes sociais e organizassem movimentos contra a situação. Outros focos de queixa foram trazidos à tona em seguida. Um deles a corrupção e os demais escândalos políticos acontecidos sucessivamente em nosso país, os quais se tornaram verdadeiros espetáculos midiáticos.
Os black blocs, culpam o Estado e as políticas feitas para atender preferencialmente os interesses privados pelo cenário político caótico. A violência policial aplicada para conter as manifestações ajudou a disseminação dos black blocs e a adoção da tão conhecida máscara de Guy Fawkes.
O Perdidos no Tempo de hoje se dedica à história por trás do ícone que deu origem a máscara, um homem por trás do rosto readaptado pelo desenhista David Lloyd, coautor do HQ V de Vingança. Face que rende financeiramente o conglomerado time Warner, detentora dos direitos autorais do desenho.
“Lembre-se, lembre-se, o cinco de novembro” é o que nos pede John Lennon na canção Remember. Para você que não faz ideia do que exatamente se lembrar, te situaremos acerca do ocorrido que hoje completa 411 anos.
No dia cinco de novembro de 1605 tem um fim a denominada Conspiração da Pólvora. Vários dos co-conspiradores envolvidos na trama, foram presos à meia noite que iniciava o dia cinco, entre eles estava Guy Fawkes, um soldado inglês católico.

Fawkes é citado nos livros de história da Inglaterra como o homem que pretendia explodir o Parlamento inglês. Nesse local se encontravam o rei Jaime I, membros da família real, ministros e parlamentares em uma sessão legislativa da Câmara dos Lordes. Em 1558 a princesa Isabel I, filha de um casamento não reconhecido pela igreja católica assume o trono. O pai dela , Henrique XVIII, rompeu relações com o catolicismo e submeteu essa religião à monarquia por causa de recusa do papada em aceitar o divórcio e novo casamento do rei.
Desde então, as relações com a igreja católica ficaram perturbadas e o catolicismo deixou de ser religião oficial do reino. As coisas, todavia, pioraram com a ascensão de Jaime I ao trono. Filho de Mary da Escócia, ele uniu duas grandes monarquias e criou o Reino Unido. O novo monarca adotou uma política antipapista que propunha a expulsão de todos os padres. Em resposta a isso, um grupo de provinciais católicos ingleses decidiram matar o rei e toda a aristocracia protestante. Os conspiradores planejaram explodir o parlamento, matando o rei e colocando no poder a filha católica dele, Isabel, ou o filho, príncipe Carlos.
O que os rebeldes católicos não imaginavam, porém, é a existência de um infiltrado da coroa no meio dos executores do plano. As autoridades prenderam então em flagrante o soldado Guy Fawkes. Fawkes estava prestes a acertar um dos 36 barris de pólvora implicados no porão do Parlamento. O ato foi abortado bem a tempo, e a explosão que acabaria com os dois poderes vigentes, o rei e os deputados, não ocorreu. Para celebrar o fracasso da missão, o povo inglês comemora a cada cinco de novembro a noite da fogueira. Nessa data são lançados fogos de artifício como demonstração de contentamento, outra tradição é a queima de um espantalho com a cara do nomeado Judas, Guy Fawkes.
As famosas máscaras de Guy Fawkes também são utilizadas, mas de uma maneira diferente. O destino delas é a fogueira. Isso diverge da ideia que os fãs da cultura pop fazem da figura de Fawkes. Aqueles que o conhecem de V de Vingança, enxergam nele o líder de uma revolução que precisava ser feita. Vale lembrar que os acontecimentos do filme são ficcionais e apenas alguns detalhes foram inspirados na situação original.