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Altivez e criatividade de Agatha Christie

  • Aline Borges
  • 15 de set. de 2016
  • 3 min de leitura

“Poirot bebeu e dispôs-se a dormir. Estava quase a adormecer, quando um choque estranho o acordou. Teve a consciência de que qualquer coisa bastante pesada caíra de encontro à porta. O belga levantou-se e abriu-a. nada. Porém, à sua direita, viu afastar-se no corredor uma mulher envolta num quimono vermelho. na outra extremidade, o condutor entretinha-se a rabiscar figuras em largas folhas de papel. reinava a completa calma”.



O trecho recitado é de uma das autoras de romance policial mais reconhecida e renomada da história. Seus textos foram traduzidos em mais de 45 idiomas, ficando atrás apenas da Bíblia e das obras de Shakespeare. Me refiro a uma das mulheres mais influentes da literatura mundial, Agatha Christie. A rainha dos romances policiais completaria 126 anos no dia 15 de setembro.

Os romances policiais, há anos, têm ganhado admiradores e mexido com a cabeça dos leitores. Suas tramas são sempre muito envolventes, elas aguçam a percepção, envolvem nos mistérios e faz com que quem lê busque solucionar cada um.

A tradição das histórias policiais começou em meados dos anos 1841, após a publicação do conto Assassinatos na Rua Morgue de Edgar Allan Poe, a criação do icônico detetive Sherlock Holmes trouxe ainda mais leitores e ajudou a disseminar o gênero pelo mundo. No Brasil, a primeira publicação do gênero aconteceu no ano de 1920. O jornal A Folha disponibilizava capítulos da obra de Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Medeiros e Albuquerque e Viriato Corrêa chamada O Mistério. Com o tempo, o gênero deu visibilidade e laçou o coração de escritores como Luis Fernando Veríssimo.

E onde estava menina Agatha no meio de toda essa história? Crescendo, aprendendo e se destacando. Suas tramas são tão bem escritas e minuciosas que conquistam o leitor nos primeiros capítulos. Em um contexto dominado por homens, ela foi uma representação incrível da força da mulher, vendeu bilhões de exemplares superando seus precursores e é publicada até hoje.


O Dom de Agatha

Cabelos claros, olhos azuis cor de céu, lábios finos e de sorriso discreto. Mary Clarissa Miller nasceu no ano de 1890 na Inglaterra. Filha de família rica, cresceu ouvindo as histórias De Edgar Alan Poe, Arthur Conan Doyle, entre outros autores. Foi na escrita que encontrou sua vocação apesar de sempre ter sido incentivada a se tornar musicista. Seu primeiro conto policial foi O Misterioso Caso de Styles, escrito enquanto trabalhava como enfermeira voluntária no Exército da Cruz Vermelha durante a Primeira Guerra Mundial.

A história de como veio a inspiração é bastante óbvia e ao mesmo tempo não tão evidente, como ela mesma afirma que deve ser um romance policial. Nas palavras de Agatha, “o verdadeiro objetivo de uma boa história policial é que o assassino seja óbvio e que, ao mesmo tempo, por certas razões, descubramos que não é óbvio, e que, afinal, possivelmente não fora essa pessoa que cometera o crime”.

Tudo começou enquanto ela estava no dispensário de seu trabalho. Ela se viu cercada de remédios que poderiam ser venenos, naquele momento soube que deveria escrever sobre aquilo. Deveria ser uma história inovadora e diferente das de Poe. A trama se passaria em volta de um envenenamento.

Um detetive, naquele contexto, era indispensável, mas o mundo já tinha Sherlok Holmes. Ela não queria só mais um personagem que marcasse aquela história como uma reprodução do outro já conhecido. Foi assim que nasceu Hercule Poirot, ele tornou-se tão popular como Holmes.

Em 1914, se casou com o coronel Archibald Christe, de quem herdou o sobrenome famoso Juntos eles se inspiraram e inspiraram histórias, deram a volta ao mundo, tiveram uma filha chamada Rosalind e ficaram juntos até 1928 quando decidiram se divorciar.

A grande obra-prima de Agatha O Assassinato de Roger Acroyd lhe trouxe muita sorte. O primeiro título de uma parceria de mais de setenta com a editora Colins. O primeiro livro a ser dramatizado e a fazer sucesso na West End de Londres.

Um tempo depois do lançamento do livro, Agatha simplesmente desapareceu em uma jogada incrível de marketing. Ela deixou pistas bastantes sutis e detalhes difíceis de serem percebidos, a polícia de Londres foi a loucura.

A sagacidade e talento da escritora eram tantos, suas obras tão populares que em 1971 recebeu o título de dama da ordem do império britânico. Ao todo, ela deixou cerca de 66 romances escritos, 163 histórias curtas, duas autobiografias e seis romances “não crime” com o pseudônimo de Mary Westmacott.

Após uma longa e proveitosa vida, Agatha faleceu por motivos naturais aos 85 anos. Exemplo de mulher, profissional e pessoa, uma das citações mais apreciadas da autora é a seguinte “aprendi que não podemos voltar atrás, que a essência da vida é seguir adiante. na verdade, a vida é uma rua de sentido único”.

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